
APRESENTAÇÃO
EXPLICAÇÃO PRÉVIA
Pretende-se com a criação desta página (Baseada no livro Armorial Lusitano, editado pela Editorial Enciclopédia, Lda.) reunir num volume as notícias relativas à origem dos apelidos das famílias brasonadas portuguesas, acompanhadas das respectivas armas.
O trabalho não é, nem podia sê-lo, perfeito, porque foi preciso reunir elementos dispersos, utilizando obras impressas e, também algumas manuscritas, sem contudo ser permitido recorrer às fontes documentais. ( ) ponde de parte, no entanto todas as notícias de aspecto duvidoso, visto ser preferível a deficiência ao erro.
Utilizaram-se, também, algumas informações relativas a famílias estrangeiras e respectivas armas, sem registo em Portugal, ministradas por actuais descendentes, ignorando-se, porém, se a sua forma está absolutamente correcta.
Não se ignora que muitas origens de famílias e de apelidos não correspondem à verdade, mas, pelos motivos apontados, não se pode esclarecê-los. Fica, todavia, esta obra mais completa que as congéneres, em virtude de todas as até aqui editadas não serem tão completas.
O estudo das armas não se fás com eficácia se não se acompanhar do histórico e genealógico, Porque na maioria dos casos, os emblemas heráldicos aludem a acções praticadas pelos ganhadores ou representam ligações familiares já distantes. Têm, contudo, os apreciadores das insígnias heráldicas feito delas o motivo principal das suas preocupações, desprezando, talvez por desconhecimento, as origens familiares e das respectivas armas, como se estas, no seu estado actual, reúnam em si toda a epopeia das linhagens e sejam garantia de um passado ilustre.
Número apreciável de brasões de armas não representam a ascendência de quem os trouxe ou usa, porque embora sejam os dos apelidos respectivos, estes não tiveram a mesma proveniência dos das linhagens a quem as armas pertenciam. Isto deu-se, sobretudo, com os apelidos muito antigos, verificando-se existirem várias famílias que os tomaram em épocas diferentes, sem parentesco entre si, e, apenas, provindas do mesmo lugar de que se originou a designação familiar ou de outros de igual nome, e, também, por começaram em alcunhas que, embora aplicadas a pessoas diversas, foram pontos de partida de um só apelido. Há a considerar o uso de apelidos tomados dos padrinhos e por simples adopção, voluntária ou imposta.
Outras causas se podem, ainda, invocar na falta de direito natural para uso de certas armas, como a ignorância genealógica de quem as trouxe ou do oficial de armas que passou o documento em patente e, até, a falsidade dos documentos apresentados para obter carta de brasão de armas ou dos testemunhos que, para tal fim, prestaram muitas pessoas pouco escrupulosas.
Aos que estão abrangidos por qualquer destes casos resultantes de desconhecimento ou má fé, somente o direito de posso lhes é permitido invocar, o que a bastantes satisfará, mas aos mais rigorosos não pode contentar, porquanto nem o tempo, nem um documento oficial convertem a mentira em verdade.
Baseado no livro: Armorial Lusitano, texto de António Machado de Feria
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